Bolsa

Ibovespa com freio de mão puxado, apesar da alta em NY

Ibovespa oscila na manhã de segunda-feira, apoiado pela alta em Nova York e pela valorização do petróleo, mas projeções do Focus e agenda de preços nos EUA sustentam cautela

O Ibovespa opera sem direção definida na manhã desta segunda-feira, 8, mesmo após amargar perda de 2,74% na semana passada.

As bolsas de Nova York sobem, com alivio nas tensões entre Israel e Irã, e ajudam ações como as da Petrobras a avançar, enquanto outros papéis ficam pressionados.

Há, ao mesmo tempo, aumento nas expectativas para inflação e para a taxa Selic no boletim Focus, a poucos dias da decisão do Copom, o que reforça a parcimônia, conforme informações divulgadas pelo boletim Focus e por análises de mercado.

Movimento dos papéis e das commodities

Do lado positivo, as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) avançam junto com a valorização do petróleo Brent, de cerca de 1% nesta sessão.

Na direção contrária, a Vale (VALE3) recua 1%, acompanhando a queda do minério de ferro, de 0,78% em Dalian e de 1,36% em Cingapura.

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em baixa de 0,77%, aos 169.019,12 pontos. Às 11h06 desta segunda-feira, o Índice Bovespa caía 0,41%, na mínima aos 168.334,78 pontos, após abertura próximo da estabilidade, aos 169.041,72 pontos (+0,01%), renovou máxima em 169.645,78 pontos (+0,37%).

Riscos inflacionários e projeções do Focus

O boletim Focus trouxe revisões que aumentam a cautela no mercado local. A mediana das estimativas para o IPCA de 2026 passou de 5,08% para 5,11%, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%.

As projeções para janeiro de 2027 subiram de 4,02% para 4,03%, para 2028 saiu de 3,66% para 3,65%, e para 2029 permanece em 3,50%.

Em relação à taxa Selic, que está em 14,50% ao ano, a mediana para o fim de 2026 subiu de 13,25% para 13,50%, para 2027 passou de 11,25% para 11,50%, e para 2028 e 2029 segue em 10%.

Sobre as perspectivas para o Copom e o cenário local, Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências Consultoria, afirmou que a pausa do ciclo de calibração da Selic após a queda deste mês é uma “hipótese bastante plausível diante da deterioração do quadro inflacionário“.

Cenário externo, juros e agenda econômica

No exterior, o foco volta-se para os índices de preços dos Estados Unidos, com destaque para o CPI e o PPI nesta semana, após o payroll de sexta indicar que o mercado de trabalho segue robusto, acima do esperado.

Esses dados reforçaram expectativas de novas altas nos juros do Federal Reserve ainda neste ano, embora as opiniões no mercado estejam divididas sobre se o banco central norte-americano deve aumentar os juros neste ano.

Como pontua Marco Saravalle, estrategista-chefe da Krivo Capital, “Mas o mercado ainda é muito dividido se o Banco Central norte-americano deveria ou não aumentar os juros ainda este ano. Mais precisamente fica praticamente zerado, reduzido a possibilidade de ter um corte de juros nos Estados Unidos em 2026”.

Houve alívio nos mercados após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que Irã e Israel buscam cessar-fogo imediato e negociações finais por paz estariam em andamento, além da decisão do Irã de suspender operações militares contra Israel.

Apesar do sinal de um possível acordo, episódios recentes de troca de fogo entre os dois países mostram que a região ainda pode voltar a elevar prêmios de risco, pressionando preços do petróleo e, por consequência, expectativas de inflação global.

Perspectivas para os próximos dias

A agenda doméstica é enxuta nesta semana, mantendo o foco dos investidores nos dados americanos de inflação. No Brasil, as atenções se voltam para o Copom, com o mercado avaliando os próximos passos da política monetária à luz das projeções do Focus.

Enquanto isso, o Ibovespa tende a seguir volátil e sensível a notícias externas sobre geopolítica, variações do petróleo e leituras de inflação, com investidores adotando postura mais conservadora até sinais mais claros sobre juros e preços.